Durante a alta temporada de vendas, como Black Friday e Natal, o volume de interações com clientes explode. Não são apenas mais vendas; são milhares de chamados no SAC, comentários no Instagram, mensagens no WhatsApp e avaliações em plataformas de e-commerce chegando simultaneamente. Tentar gerenciar esse fluxo manualmente é impossível, e identificar uma crise de reputação ou um problema logístico grave no meio desse “ruído” digital é como tentar achar uma agulha no palheiro enquanto o celeiro pega fogo.
A Análise de Sentimento tradicional — que classifica um texto inteiramente como Positivo, Negativo ou Neutro — é um bom começo para métricas gerais de marca. No entanto, para operações complexas de varejo, ela é insuficiente e muitas vezes enganosa. Precisamos evoluir para a Análise de Sentimento Baseada em Aspectos (ABSA – Aspect-Based Sentiment Analysis).
O que é ABSA e por que ela é crítica no Natal?
A principal falha da análise tradicional é a incapacidade de lidar com sentimentos mistos. É muito comum que, em uma única avaliação, o cliente expresse emoções opostas sobre diferentes partes da sua experiência.
Imagine que um cliente escreve o seguinte review na semana do Natal:
“Amei o brinquedo, meu filho ficou encantado e a qualidade é incrível! Mas a entrega atrasou 3 dias e a caixa chegou toda amassada, quase estragou a surpresa.”
Um analisador de sentimento simples ficaria confuso. Ele poderia classificar essa frase como “Neutra” (pois os elogios e críticas se anulam matematicamente) ou, pior, classificar como “Positiva” apenas pela presença de palavras fortes como “amei” e “encantado”. Isso esconde o problema real.
A ABSA utiliza técnicas avançadas de Processamento de Linguagem Natural (como redes neurais baseadas em Transformers) para “ler” a frase como um humano faria, quebrando-a em entidades e atribuindo sentimentos específicos a cada aspecto:
- Produto (Qualidade/Brinquedo): Sentimento Positivo (Score: 0.98). Insight: O produto é um sucesso de vendas.
- Logística (Prazo de Entrega): Sentimento Negativo (Score: 0.85). Insight: A transportadora está falhando no SLA.
- Logística (Embalagem/Apresentação): Sentimento Negativo (Score: 0.90). Insight: O manuseio está inadequado.
Com essa granularidade, a empresa consegue separar a reputação do produto dos problemas operacionais.

O verdadeiro poder da ABSA surge quando aplicada em escala. Durante a Black Friday, a IA processa milhares de comentários por minuto, permitindo criar dashboards de Inteligência Operacional em tempo real.
Em vez de um relatório genérico dizendo apenas que “as reclamações aumentaram 20%”, o gestor de operações recebe um alerta cirúrgico e acionável:
“Alerta Crítico: O sentimento negativo relacionado ao aspecto ‘Prazo de Entrega’ aumentou 40% nas últimas 3 horas especificamente na região Sudeste e para a Transportadora X.”
Isso transforma dados passivos em ação imediata. O gestor pode “detectar a fumaça antes do fogo”, contatando a transportadora parceira daquela região para resolver o gargalo ou desviando o fluxo de pedidos para outro parceiro logístico, antes que a situação se transforme em uma onda massiva de cancelamentos ou destrua a reputação da loja no Reclame Aqui.
Lidando com a Ironia e o “Jeitinho” Brasileiro de Falar
O português brasileiro é um idioma rico, contextual e cheio de armadilhas para sistemas antigos de IA. Outro avanço técnico vital dos modelos modernos de NLP (como o BERT treinado em português) é a capacidade de entender nuances, gírias, emojis e, principalmente, a ironia.
Sistemas antigos, baseados em “palavras-chave” (Bag of Words), olham para palavras isoladas. Para eles, “parabéns” e “nota 10” são sempre positivos.
Veja este exemplo real de um consumidor frustrado:
“Parabéns à transportadora por entregar meu presente de Natal em Janeiro. Serviço nota 10, só que não! “
Um modelo antigo classificaria isso como Positivo. Isso geraria um “falso positivo” nas suas métricas, fazendo parecer que o cliente está feliz quando, na verdade, ele está furioso. Modelos contextuais modernos detectam a ironia pela contradição entre “presente de Natal” e “Janeiro”, pelo uso da expressão “só que não” e até pelo contexto do emoji de palmas usado sarcasticamente, classificando corretamente como uma Crítica Severa.
Monitorar a voz do cliente com essa precisão cirúrgica não é apenas sobre resolver tickets de suporte; é sobre salvar a experiência do cliente e proteger a marca em uma época emocionalmente carregada como o fim de ano.
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Autor: Paulo Victor Barbosa













